CONVERSAS SOBRE CULTURA NO XISTO BAHIA

…Um espaço pra falar e ouvir sobre ações e projetos culturais

Os encontros têm início nesta sexta-feira (16/7), com o tema “Manutenção de Grupos”


No cenário contemporâneo da produção cultural, surgem novas tendências de desenvolvimento da área que têm sido experimentadas pelos baianos e mostrado soluções criativas para beneficiar artistas e público. Conhecer, compartilhar e multiplicar estas experiências são o objetivo do projeto Conversas sobre Cultura – Xisto Bahia, que vai proporcionar espaço de discussão sobre as iniciativas inovadoras que vêm sendo utilizadas para a promoção da cultura. Nesta sexta-feira, 16 de julho, das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 18h00, a primeira edição da série vai tratar do tema “Manutenção de Grupos”, um mecanismo que tem se mostrado, em todo o Brasil, como um eficiente meio de fortalecimento das redes produtivas.


O projeto se instala no Espaço Xisto Bahia (Barris), cujo foyer vai sediar os encontros, que são abertos para o público, gratuitamente. A ideia é de permitir a troca e de revelar, através da vivência dos convidados, de maneira participativa, as possibilidades de aproveitamento das políticas de fomento proporcionadas pelo Estado. Os protagonistas das conversas serão aqueles que têm histórias reais para contar – e avaliar, dividir, questionar.


Nesta estreia, o Dimenti e o Bando de Teatro Olodum vão falar, no turno matutino, da experiência de manutenção proporcionada por editais nacionais em que foram contemplados. Já à tarde, as experiências vividas através de seleção em editais estaduais virão do testemunho de representantes de sete grupos: A Outra Cia. de Teatro, Cia. de Dança Jorge Silva, Cia. Novos Novos, João Perene Núcleo de Investigação Coreográfica, Sua Cia. de Dança, Tran-Chan e Vilavox. A presença de membros destes nove importantes grupos baianos de teatro e de dança é a consolidação inicial da proposta: reunir a classe artística em torno de um movimento de consciência e ação.


Após este primeiro dia, estão já agendadas três outras edições das Conversas sobre Cultura, quinzenalmente: em 30 de julho, o tema será “Residência e Ocupação de Espaços”; em 13 de agosto, será a vez de “Mobilidade Internacional”; já em 27 de agosto, o debate gira em torno de “Mecanismos de Apoio: A Visão dos Proponentes”.


O projeto Conversas sobre Cultura – Xisto Bahia é uma iniciativa da Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB, unidade da Secretaria de Cultura do Estado – SecultBA. Atenta ao tema, a SecultBA elaborou a Cartilha de Institucionalização de Grupos Artístico-Culturais, que será distribuída aos presentes na sexta-feira.

Sobre Manutenção de Grupos
A ideia de Manutenção de Grupos como política pública para o teatro (e posteriormente para a dança) surge no Brasil a partir do Movimento Arte Contra a Barbárie, criado em São Paulo no final dos anos 1990. Foi uma reunião de artistas e grupos de teatro, além de intelectuais, que questionavam o modelo de financiamento da cultura baseado exclusivamente no incentivo fiscal e a falta de diálogo entre o poder público e a sociedade. Em seu primeiro Manifesto, de 1999, lê-se: “A aparente quantidade de eventos faz supor uma efervescência, mas, na verdade, disfarça a miséria dos investimentos culturais de longo prazo que visem à qualidade da produção artística”.


Este movimento de pessoas interessadas em pensar a cultura de forma mais edificante, respaldada em debates, seminários e discussões promovidas continuadamente, resultou na Lei nº 13.279, sancionada pela então prefeita Marta Suplicy em 2002. Com a lei, que instituiu o Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, novos espaços surgiram, intercâmbios se intensificaram, montagens ousadas reapareceram, grupos novatos se firmaram, grupos veteranos foram reconhecidos. A experiência paulista provocou a discussão, em praticamente todo o país, do papel do teatro de grupo na conformação do teatro brasileiro.


O Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura – Procultura, mais conhecido como “mudança da Lei Rouanet”, que prevê, dentre outras ações, o fomento a núcleos artísticos com trabalho continuado, surge também como resultado dos esforços da classe. Percebe-se, aí, o avanço de se ter incluído, na proposta de lei, as ideias e demandas elaboradas pela sociedade civil, que se ampliam para a produção e circulação de espetáculos ou atividades teatrais, alcançando, assim, além dos grupos, os pequenos produtores brasileiros.


Para além do teatro, logo os artistas da dança inspiraram-se no modelo e conseguiu sancionar sua primeira lei, também em São Paulo.


Na Bahia, as reverberações destes anseios são claras. Em 2007/2008, o Fundo de Cultura da Bahia – FCBA, vinculado à SecultBA, convocou os artistas, através de chamada pública, a apresentarem projetos de manutenção de grupos artísticos. Através desta iniciativa inédita no estado, oito grupos de teatro e de dança foram contemplados e desenvolveram projetos de continuidade, que ratificaram a necessidade de desenvolvimento de mecanismos de fomento a projetos de longo prazo, estruturantes.


Agora, até o próximo dia 23 de julho, a FUNCEB está inscrevendo para o primeiro edital Apoio a Grupos Artísticos do Estado da Bahia, que formaliza o incentivo ao aperfeiçoamento de grupos de dança e de teatro através do apoio a projetos de trabalho continuado de pesquisa e produção artística. A seleção vai distribuir R$ 1,23 milhão para 18 contemplados que vão desenvolver ações regulares pelo período de um ano, abrangendo, por exemplo, atividades de pesquisa, criação, intercâmbio, repertório, ensaios e apresentações, além de trabalhos de capacitação externa e formação de plateia.


Ainda vale ressaltar que, entre a chamada pública e o edital lançado, houve um movimento intenso por parte de grupos e artistas locais, de teatro e de dança, no sentido de propor uma Lei de Fomento às Artes Cênicas no Estado da Bahia. A proposta foi debatida em diversos eventos públicos, com participação de políticos e gestores, inclinados a apoiar o projeto. Entretanto, ainda não foi formatada e finalizada sua redação, bem como avaliada sua base legal, a ponto de chegar a ser apresentada formalmente ao legislativo.


Por fim, a Fundação Nacional de Artes – Funarte prepara-se para lançar editais através do Fundo Nacional de Cultura – FNC. Entre eles, e com uma previsão de valor bastante considerável, está justamente um edital de Manutenção de Núcleos Artísticos, que vai apoiar coletivos de dança, teatro e circo.

Para conhecer melhor os grupos que irão compartilhar suas experiências nesse primeiro encontro, clique no link: Conversas sobre Cultura

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s