Semana Cultural Acessível conscientiza os próprios servidores da SecultBA

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O primeiro exercício da oficina tentava demonstrar como as pessoas estão conectadas umas às outras | Foto: Ítalo Cerqueira

Na manhã desta quinta-feira, 22 de setembro, a segunda edição da Semana Cultural Acessível encarou um desafio especial: sensibilizar os próprios servidores da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) diante do seu papel de incorporar nas atitudes e rotinas, de forma primordial e atenta, o compromisso com a acessibilidade. Funcionários de espaços culturais, incluindo o Teatro Castro Alves (TCA), e de setores que tratam diretamente com o público – a exemplo da Escola de Dança da FUNCEB e da Diretoria de Audiovisual (Dimas) – se reuniram no salão principal do Palácio Rio Branco para a oficina “Caminhos do Corpo”, ministrada pelo grupo Perspectivas em Movimento, que realiza o projeto em parceria com o Governo da Bahia, por meio da própria SecultBA e da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS).

“Buscamos trabalhar o corpo como construção e tratar também da reconstrução de um novo corpo, que se adeque a novos espaços. Com a provocação dos sentidos, a gente mostra como há outras formas de perceber o que nos rodeia, e como é importante viabilizar estas outras formas para promover a acessibilidade”, resume Ninfa Cunha, coordenadora do Espaço Xisto Bahia e membro do Perspectivas em Movimento. “É assim: a acessibilidade está na lei. E quanto mais a gente provocar e discutir isso, jogar na pauta, mais nós vamos avançar. Temos um exemplo real: quando eu mostro o Xisto fora da Bahia, eu mostro como estamos tirando as coisas do papel e colocando em prática. Para isso, é fundamental repensar o olhar e a atitude. No encontro de hoje, nós plantamos sementes naquelas pessoas”, explica ela.

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O uso das cadeiras de roda também foi experimentado pelos participantes | Foto: Ítalo Cerqueira

Os cerca de 30 participantes foram postos a experimentar sensações de limitações físicas, enquanto eram estimulados em outros sentidos: ora sem ver, ora sem andar, ora como guiadores ou guiados, eles puderam simbolicamente viver outros modos de se relacionar com o mundo. Também perceberam como ações simples do dia a dia podem ser dificultadoras ou facilitadoras para as pessoas com deficiência. Com isso, pretendeu-se problematizar condições da acessibilidade em termos de atitude, comunicação, arquitetura e procedimentos, em acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

A vice-diretora da Escola de Dança da FUNCEB, Virgínia Costa, afirma que a iniciativa foi bastante importante por fazer perceber a realidade a partir da visão do outro. “Não é você apenas ter o cuidado com a pessoa com deficiência, mas é você ficar no lugar dessa pessoa”, disse Vírginia, ao acrescentar que irá se inscrever em um curso de tradução em Libras.

Há 30 anos, a assistente da Casa da Música Juçara Miranda convive com uma irmã cadeirante e, mesmo com essa experiência, ela teve dificuldades em executar as atividades da vivência. “Foi complicado, porque é uma experiência nova ter outra pessoa na cadeira de rodas. Você não tem a prática de como passar segurança para a pessoa que a gente está guiando”, conta Juçara. Ela ainda afirma que a oficina foi fundamental para ela que trabalha em um espaço cultural: “A gente aprende como lidar com a situação em diferentes aspectos, não só com cadeirantes, mas também com a pessoa com deficiência visual, auditiva e outras mais”.

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A SEMANA CULTURAL ACESSÍVEL – Setembro é o mês da acessibilidade, pois é quando se comemoram os dias nacionais do Teatro Acessível (19/9), de Luta da Pessoa com Deficiência (21/9) e dos Surdos (26/9). Para celebrar as datas e refletir a atuação das políticas públicas diante das questões de democratização do acesso a pessoas com deficiência, a segunda edição da Semana Cultural Acessível oferece extensa programação estruturada para promover um espaço de convivência e compartilhamento de saberes entre pessoas com e sem deficiência, entre os dias 19 e 25 de setembro. Neste ano, o evento ocupa seu lugar original – Espaço Xisto Bahia, em Salvador – e se expande para outros espaços culturais e bibliotecas públicas da Bahia, chegando também a Lauro de Freitas e Santo Amaro.

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